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Sistema proporcional nas eleições

As eleições para deputado federal, estadual, distrital e para vereador se valem do sistema proporcional. Antes de continuar a dissertar sobre o sistema proporcional, vale lembrar que as eleições para o Senado, em que pese ser um cargo para o Poder Legislativo, não se valem do sistema proporcional, mas sim do majoritário e nele basta a maioria simples. Assim, não se pode associar as eleições proporcionais aos cargos do poder legislativo.

Voltando às eleições proporcionais, é de conhecimento geral que para se conhecer os eleitos, é necessário, antes, caminhar pelos domínios da matemática. Na eleição proporcional, existem dois quocientes que precisamos entender: o quociente eleitoral e o quociente partidário. O primeiro é calculado dividindo-se o número de votos válidos pelo número de cadeiras disponíveis na circunscrição e o segundo é obtido dividindo-se o número de votos válidos atribuídos a um partido pelo quociente eleitoral. Portanto, para se chegar ao quociente partidário, precisamnos saber qual é o quociente eleitoral.

Votos válidos, para efeitos de contabilização na eleição proporcional, são aqueles dirigidos a algum candidato ou a alguma legenda. Votos brancos e nulos não são computados para calcular os quocientes.

O quociente eleitoral demonstra quantos votos são necessários para que um partido obtenha uma cadeira. O quociente partidário revela quantas cadeiras o partido conseguiu.

Assim, se o quociente eleitoral de um lugar, por exemplo, o Inferno, é de 15.000 votos, qualquer partido, para ter seu carguinho nojento, precisa ter pelo menos 15.000 votos. Supondo que no Inferno existam 6 cadeiras em disputa e 90.000 votos válidos, será necessário que o partido conquiste 15.000 votos para ter uma vaga. Se o partido paramilitar conquistou 50.000 votos, tem direito a 3 vagas. O outro partido, dos bandidos, recebeu 29.000 e tem direito a uma vaga. Sobraram duas vagas. O que fazer com elas?

Aqui adota-se o sistema de sobras e o partido que tiver a maior média, ganhará as cadeiras remanescentes. Dividir-se-á o número de votos válidos atribuídos ao partido pelo número de lugares por ele obtido mais 1.

No nosso exemplo, o partido paramitar terá a média de 12.500 (50.000 dividido por três lugares mais 1) e o partido dos bandidos terá a média de 14500 (29.000 dividido por uma cadeira mais 1). Logo, o partido dos bandidos ganha mais uma vaga, pois sua média é maior.

Porém, ainda sobra uma vaga e, portanto, devemos repetir a operação. O partido paramilitar terá a média de 12.500 e o partido dos bandido terá uma nova média, qual seja 9.888. Assim, sua média ficará menor. E a vaga remanescente ficará com os paramilitares.

Se o partido não atinge o quociente eleitoral ele não tem vaga. Se um candidato, Tiririca, por exemplo, quebra recordes de votação, ele leva o quociente eleitoral de seu partido às alturas e elege com ele seus comparsas, ainda que não votados. Ou seja, pelo sistema proporcional, vc pode ser eleito sem ter sido votado, nem por vc mesmo kkkkkk. Isso é, porque a cadeira é do partido.

Após definidos os números de cadeiras de cada partido, daí passa-se a perquirir quais foram os candidatos mais votados. Se nas eleições para o Inferno, todos os cinco candidatos mais votados foram do partido dos bandidos, só dois deles vão assumir, pois o partido dos paramilitares teve mais votos, seja porque tinha um Tiririca da vida, seja porque todos foram, na média, bem votados.

Alguma dúvida? (Por favor, diga não)

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